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O Conta da Serpente - Uma curta história de Viper

O Conto da Serpente
Uma história do mundo Valorant

 


O som ensurdecedor rasgou o céu naquela madrugada. Uma garotinha de olhos
radiantes olhou pela janela e avistou o céu claro como o meio-dia, mesmo que ainda fosse
muito cedo para que o sol aquecesse aquela pequena cidade.


Ouviu os passos pesados de sua mãe através da porta e logo os ecos de seu grito de
desespero tomaram conta dos corredores.


"Filha!"- Sua mãe repetia ao seu encontro, até estarem juntas.


Abraçou-a assustada, e ambas se apressaram a acharem um lugar seguro no porão.
Mãe e filha sabiam que era uma questão de tempo até serem encontradas.

A Kingdom mostraria sua ferocidade em poucos minutos.
A pequena agarrou a foto de seu pai e se encolheu no porão temendo pela explosão.
Sua mãe a cobriu com os poucos lençóis que se amontoavam na poeira desejando que
aquilo não passasse de um pesadelo.


E o tempo correu como um inimigo sem fim. E algum tempo passou.
E depois muito mais.
Algo estava errado. A radianita não havia sido extraída.


Ouviram um estrondo característico de portas sendo arrombadas e seus corações
aceleraram. Podiam sentir que aqueles poderiam ser seus últimos momentos juntas.
A garotinha não conseguia entender por que a Kingdom invadiria sua casa, logo a sua.
"Espere aqui" - murmurou sua mãe.


A mulher mais corajosa que ela havia conhecido levantou em direção ao alçapão em
busca de poupar a vida da filha.
Aquela pobre menina não conseguia emitir um som para a impedir.
Quando um feixe de ar arranhou sua garganta, ouviu uma voz estridente dentro de sua
casa.


"Achou que fugiria por quanto tempo, Meredith?" - sibilou a voz.
"Deixem ela em paz"- sua mãe respondeu com firmeza na voz, apostando a falsa
esperança de que aquelas não seriam suas últimas palavras.
Ouvindo apenas um estrondo, a menina soube que o corpo de sua mãe já jazia no chão.
Os passos chegaram logo em seguida, levantando o alçapão.
Uma mulher de óculos e face cativante passou dentre os agentes que haviam adentrado
o local. O grade K dourado estampado em sua roupa.
"Qual o seu nome, minha pobre criança?" - disse a mulher.
"Sabine" - respondeu trêmula. Permaneceu encolhida envolta por seus lençóis.

"Você não irá precisar disso" - disse a cientista se aproximando e tirando o porta retrato
de seu pai de suas mãos.


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Deslizando os talheres sobre o prato de refeição, Viper olhou em seu transmissor a
última mensagem que acabara de chegar.
"Precisamos de você aqui." - a mensagem iluminava sua tela. Era hora de voltar ao
trabalho.


Vestiu o traje com calma, olhou-se no espelho mais uma vez, cogitando se a imagem no
espelho ainda lhe passava a insegurança de que algo dentro de si não se encaixava.
"Besteira" - pensou consigo. E seguiu em direção ao laboratório.
Sua jornada estava longe de acabar.


"O processo está quase concluído. Não esqueça de que quanto mais rápido saírmos
daqui, melhor." - disse a Srª Moreno fixando seu olhar nos olhos verde de Sabine.
Viper analisou os dados do monitor no laboratório da refinaria Kingdom e pensou se
todo seu esforço até ali teria valido a pena.


Suas habilidades de cura e sua pesquisa para tratar doenças com a radianita já haviam
passado por cima de pessoas, cidades e histórias.
"Tudo por um bem maior" repetia em sua cabeça, lema este que havia sido ensinada
desde quando suas lembranças conseguiam chegar.
Desde quando acordou com um farto café da manhã na casa da Srª Moreno.
Antes disso, nada além de um espaço em branco.


Procurou levar sua mente pro futuro que planejava, onde nenhum sacrifício seria mais
necessário. Onde a Kingdom e suas tecnologias milagrosas pudessem enfim salvar a
humanidade de si mesma.
Antes que todos os processos do computador pudessem ser concluídos, ouviu as sirenes
altas ecoando por toda a cidade.
O alerta vermelho sinalizado nos monitores. Haviam intrusos e estavam próximos.
"Preciso ir" - murmurou Sabine. Estocou algumas cápsulas de munição e partiu em
direção ao centro da cidade.


Chegou em pouco tempo. A cidade já se encontrava vazia. Apenas as sirenes
continuavam em alto e bom som.
Todos os funcionários evacuaram a área ao saber que os rebeldes invadiriam aquele
lugar muito bem munidos de armas em busca do maior tesouro da modernidade. A radianita
da Kingdom Corporation.


Viper presssentiu que já não estava sozinha.
Ouviu um sussurro ricocheteando em seu rosto como uma brisa leve.
"Deixe-me lembrar" - o som baixo adentrava sua cabeça.
"Saia já daqui" - respondeu em alto e bom tom. Já havia sido alertada dos truques
mentais que os rebeldes poderiam tentar para manipular qualquer um.
A agente da Kingdom caiu de joelhos entorpecida em uma escuridão. Por alguns
segundos sentiu as sombras pairarem em sua mente e sua cabeça explodir.
E então, o silêncio.


Sua mente foi inundada por suas memórias sufocantes, lapsos antes corrompidos pela
radianita voltaram à tona com toda força, fazendo com que recordasse de Meredith, sua mãe,
sendo assassinada na sua frente.
Abriu seus olhos entorpecida.
As sirenes já não tocavam, como se os rebeldes jamais tivessem estado perto daquele
lugar.


Ainda um pouco desnorteada e com o coração apertado, voltou ao laboratório.
Não havia ninguém. Os funcionários estavam na área de segurança aguardando o sinal
verde para poderem voltar em segurança.
Descrente com suas próprias lembranças, colocou sua cabeça entre as mãos tentando
inutilmente colocar seus pensamentos no lugar e acreditar que aquilo havia sido uma trapaça.
uma mentira dos rebeldes.


"Computador..." - murmurou com a voz fraca, seus olhos já não continham as lágrimas
daquela explosão de sentimentos que a inundavam.
"Controle total, agente Viper" - completou. O monitor mostrava todos os dados de
Sabine, até certo ponto.
Não era suficiente, precisava de respostas.
Golpeou um dos monitores em um momento de fúria e se direcionou rapidamente à
área de segurança.


A Srª Moreno a aguardava com um breve sorriso e olhos pálidos através de seus óculos
fundos.
"Fiquei preocupada, não recebemos mais seu sinal. Teremos que trocar seu
monitorador" - disse, analisando com as mãos atrás do pescoço de Sabine.
Seus olhos verdes já demonstravam a descrença e a raiva que brotou dentro de seu
coração a confrontar a assassina de sua mãe.
Apontou a arma para sua mãe adotiva, enquanto todos os funcionários se abaixaram
assustados.


"Viper, o que..." - sibilou Srª Moreno, confusa.
"Você vem comigo." - interrompeu-a com sua voz decidida. Pouco passos arrastados até
o laboratório da Kingdom no Marrocos sucederam em silêncio até Viper dar seu ultimato.
"Abra todos os meus arquivos, agora" - gritou Sabine tremulando sua voz assim como
sua arma.


"Viper, não, por favor...eles colocaram algo na sua cabeça, deixe te me consert..." -
implorou a cientista tentando se aproximar.
A agente atirou em mais um monitor mostrando que não haveria uma segunda ordem.
"Computador...agente...Viper" - disse a cientista ao computador central.
Sua foto apareceu no maior monitor do laboratório. Toda suas informação abertas,
todas as mentiras e manipulações da sua vida expostas. Viu a foto de sua mãe.
Seu coração apertando mais forte, acariciou a tela tentando por alguns momentos
lembrar de seu abraço.


"Você a matou" - sussurrou mais para si mesma do que para a Srª Moreno.
"Foi necessár..." - e sua voz sumiu, os olhos vidrados contemplando os olhos verdes de
Viper.
Caiu de joelhos no chão do laboratório após o estampido do bala de Sabine em seu
peito.


Sua cabeça tentava absorver todas as informações que brotavam ferozmente em sua
frente. Não havia tido um pai, nem antes.
Era tudo uma farsa.
Sua mãe não havia sido morta em um acidente. Mas havia fugido da Kingdom para a
proteger.


Sabine foi criada como arma, não uma benção.
Sua genialidade química foi criada para matar e não para curar. A corporação usava
suas criações para passar por qualquer um que entrasse em seu caminho.
As lágrimas já não se encontravam em seus olhos, seu corpo já se recusava a deixar cair
por terra gotas de tristeza. Só a raiva a consumia de dentro pra fora.
Sabine vestiu por mais uma vez sua máscara de serpente e foi em busca daqueles que
roubaram toda sua vida.


Adentrou à área de segurança onde os funcionário da Kingdom Corporation já
tentavam fugir para as aeronaves de resgate. Mas um por um foram sendo caçados pela
Serpente, seu veneno corroendo todas as mentiras que lhe foram contadas.
Após a chacina, marchou para a cidade, onde o silêncio ainda permanecia. Ao fundo
ouviu os reforços da corporação chegando, seria seu último suspiro.
Ajoelhou sozinha esperando pelo pior.


O caminhar dos agente se tornavam mais nítidos.
O único pensamento em sua cabeça foi o nome de Meredith ecoando diversas vezes.
Lembrou-se de seu último abraço, seu último beijo, das manhã que passaram juntas, de toda
sua vida sacrificada para lhe proteger.


Levantou-se por uma última vez, desejando estar naquela utopia, onde só ela e sua mãe
estariam livres para sempre, um lugar onde seriam felizes.
Um lugar onde a Kingdom nunca existiria.


Sentiu o veneno por dentre suas veias, o fulgor do calor inundando todo o seu corpo,
sua pele pedia pela toxina fatal que emanava da palma de suas mãos. A raiva consumia toda
as suas forças a fim de criar um campo mortal pra qualquer um que se aproximasse.
Numa explosão reverberando por todo seu redor, paredes de veneno se alastravam por
todo o corpo dos agentes da Kingdom, fazendo-os desfalecerem rapidamente ao chão.
O ar venenoso os sufocou até o último suspiro.


Encolheu-se no centro de sua toxina como no fatídico dia do porão, quando lhe havia
lhe roubado seu bem mais precioso. Estava sozinha, em seu próprio mundo. O único lugar
seguro, dentro de sua criação.
Aos poucos sua toxina foi sendo acalmada pelas lágrimas que voltaram ao seu rosto,
não ouvia nada além do choro interno que a atormentava.
Não conseguiu perceber que ao longe havia um extrator de radianita ativo.
Mal ouviu sua explosão. Mergulhou nas profundezas que apagariam rapidamente toda
sua dor e a faria caminhar no esquecimento.
Assim como sua mãe, Viper estava morta.


A luz azul fazia clarear seus olhos. "Então assim é a morte?" - pensou consigo, ainda
com pouco fôlego. Olhou ao seu redor e viu a cidade que acabara de destruir.
Uma mulher de cabelos longos estava ajoelhada ao seu lado.
"Sua missão ainda não acabou, Sabine" - sussurrou acariciando seu rosto.
"Bem-vinda ao Protocolo Valorant" - finalizou.

 

 

Conto feito por fã, realizado com base no conteúdo do jogo Valorant da Riot Games.

Tags (1)
6 RESPOSTAS
LaoVoid
Moderação
Moderação

Eita, que conto maneiro!

Curti bastante, parabéns pela sua dedicação e sua arte, achei que combinou bastante com a Viper ❤️
Já estou ansioso pros próximos.

Shotki
Moderação
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Caraca! Eu tive uma imersão muito daora nesse conto!

Parabéns pelo trabalho, de verdade. 

Fico no aguardo por mais, caso faça um dia u.u

mila beesly
Moderação
Moderação

WOW! Fiquei totalmente imersa no conto também, que incrível! 
Gostei muito mesmo, parabéns pela escrita maravilhosa e envolvente!

Y2K Matrix
Moderação
Moderação

Caraca, champs... Fiquei extremamente envolvida nesse conto me deu até arrepio...

Parabéns pela criatividade e boa escrita. O texto fluiu muito bem ❤️ ❤️ ❤️

Gaushow20
Moderação
Moderação

Como é legal ver um texto bem escrito e uma lore envolvente. Parabéns maninho, você arrasou!!!!!

FlareonEx
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Agradeço demais pelo feedback e fico muito feliz que tenham gostado, já já têm novidades ❤️