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CONTO 2: "Despedidas de uma vida inglória".

" - Tem sido dias difíceis, meu filho - Diz a mãe de Torvic enquanto coloca o jantar - Tem dormido direito, se alimentado direito? 

 

   Sentado à mesa junto de seu pai, o cheiro delicioso do peixe assado preenchia a pequena cozinha. Suas botas sujas na porta que dava para o quintal, o cachecol amarelo pendurado na borda da cadeira. 

 

- Dormido sim, apesar de dormir no mato não seja tããão bom quanto dormir em casa, lógico - Torvic levantou para ajudar a mãe, dispondo os talheres e copos - Comido bem já é outra história, não posso pegar o dinheiro no banco pois não posso ir ao banco e o dinheiro que me resta são dos trabalhos que faço. 

 

   Com o jantar já na mesa, o gosto excelente do peixe invadiu Torvic, uma ótima lembrança de sua casa pesqueira, um aconchego em Khworez. Uma boa pausa na loucura que estava sua vida, mas logo interrompida para dar um aviso a seus pais. 

 

- Devo ficar fora por mais tempo, já colocaram mais cartazes por aí - Disse entre uma garfada generosa e outra - Vou voltar, mas não tenho previsão de quando... 

 

- Tudo bem, filho... - Respondeu o pai, colocando a mão no ombro de Torvic - Contanto que esteja a salvo, vale a pena. 

 

- Não, não vale. Nada disso valeu a pena, pai! - Torvic largou os talheres na mesa com raiva - Olha no que coloquei vocês, não podem nem serem vistos com seu filho! 

 
   Lágrimas escorreram no seu olhar de raiva, sua mãe levantou para abraça-lo e tentar acalmar a situação. 

 

- Salvar uma ou muitas vidas é sempre o melhor caminho, meu filho - O tom de voz dela era sério, mas sereno - Nenhum capitão noxiano ou de qualquer outro lugar seguiu esse caminho, mas você fez e isso que importa. 

 

   Torvic levantou em direção a porta para o quintal, quieto, pegou uma toalha no varal e entrou novamente, agora em direção ao banheiro. 

 

- Os ionianos que eu matei discordam, mãe - Respondeu ele na porta da cozinha para o corredor da casa - Eu salvei uma família e condenei a minha, e pior ainda, matei muitas outras durante todo o cerco. Porque mandaram fazer, porque eu era o capitão Torvic Símplio... Não segui esse caminho de salvação, mãe. Fui por outro, outro muito pior... 

 

   Depois de se limpado, pego alguns suprimentos e arrumado suas coisas, estava pronto para ir sem ideia de quando voltaria, essa dúvida o entristecia. Em seu antigo quarto, na velha cama de madeira com um pequeno armário de roupas, apenas a ideia de que sua vida pacata jamais voltaria. Talvez desde quando tinha entrado para o exército, ou talvez quando tinha se voltado contra as ordens de dominação de seus superiores, não importa quando foi, mas com certeza não teria mais suas tardes tranquilas de pesca com seu pai ou então ajudando sua mãe com as tarefas. 

Antes de ir, uma última parada, o bar próximo dali para tentar buscar por recompensas, atualmente seu ganha-pão. Chegando lá, encapuzado para evitar ser percebido mais facilmente, alguns soldados noxianos bebiam. 

 

- Algum serviço para mim hoje, seu Galardo? - Perguntou Torvic num tom mais baixo, para não chamar atenção dos bêbados que sentavam atrás dele, na mesa em frente ao balcão - Um último serviço. 

 

- Tenho sim, mas... - Sua fala deu espaço para um sinal com os olhos, apontando para o cartaz de procurado de Torvic - Acho que talvez você queira vir mais tarde, quando a nova carga de bebidas chegar. 

 

- Posso pegar apenas o cartaz ao lado? 

 

- Claro. 

 

   Antes de ir até a parede do fundo do bar e pegar o cartaz, um dos soldados se colocou no caminho, apoiando-se no balcão. O bafo de álcool era insuportável, fazendo Torvic torcer o nariz. 

 

- Esse aqui está te incomodando, velho?! - Gritou, balançando sua caneca ainda meio cheia - Posso dar um jeito nele, hahahaha! 

 

- Não, rapaz. Deixe, ele vai embora. 

 

   Silêncio tenso que só aumentava. Ser reconhecido só pioraria a situação, teria, no mínimo, agravamento em sua sentença. Apesar de soldados de baixa hierarquia, eles ainda serviam ao exército e ir contra isso é ir contra Noxus. Uma gota de suor escorreu na testa de Galardo, Torvic já estava preparado para o pior, os colegas daquele homem assistiam calados. 

 

- Tudo bem então, mas não gostamos desse tipinho por aqui, mercenário... - Respondeu raivosamente e com uma cuspida na bota de Torvic - Não apareça mais aqui. 

 

   O mercenário irritadíssimo olhou o homem sentar e foi arrancar o cartaz de recompensa por um ladrão qualquer, um dinheiro que lhe sustentaria por um momento, mas ao tentar sair mesmo sem dizer nada, foi interrompido novamente já perto da porta. 

 

- Ei, espere um pouco! - Gritou outro - Tire o capuz, mercenário. Deixe-me ver seu rosto! 

 

   Pelo tom de voz, ele não parecia estar tão bêbado, poderia discernir tudo tranquilamente. Óbvio que não seria tão fácil assim. Com calma o capuz foi tirado e seus baixos cabelos castanho escuro eram visíveis. O som de uma arma sendo tirada do seu descanso. 

 

- Vire-se, de-va-gar... - O homem já estava com seu pequeno machado em punho, pronto pro combate. 

 

- Você tem certeza disso? - Respondeu Torvic, antes de virar-se - Se já está com a arma pronto para matar, já está pronto para morrer? 

 

   Ele virou apenas a cabeça para ver a reação do soldado que parecia estar surpreso por estar certo, era o traidor de Noxus, o mesmo do cartaz no fundo do bar. Um berro de batalha seguido por uma tentativa de corte iniciou a luta. 

Um giro de Torvic colocou sua mão esquerda na arma do oponente, desviando e neutralizando a ameaça, o empurrão com o ombro deixou o soldado cambaleando sem machado. 

 

- Não prefere fazer isso com mais respeito? - Perguntou Torvic - Estou desarmado. 

 

   Os três que estavam sentados foram na direção do fugitivo, dando suporte para o primeiro. Não havia mais tempo para provocações, a maça que veio de cima para baixo foi parada com a mão direita, a faca que vinha na altura de sua costela foi parada com a esquerda. Um chute empurraria o da faca, uma cabeçada atordoaria o da maça. 

Sem tempo para folego, um soco vinha na direção de seu rosto interceptado por uma de suas mãos, o desvio colocou a investida do oponente para cambalear atrás dele, caindo logo em seguida. Um chute na perna de Torvic o faria ajoelhar por um instante, colocando-o numa posição ruim de dois em cada lado. 

Rapidamente, um soco de Torvic chegou tão forte na barriga do que carregava a faca que a deixou cair. Pegando-a, desferindo um corte onde o soco tinha sido dado. A maça vinha em sua direção, dessa vez com ainda mais força, quebraria sua cabeça. Com rolamento, um corte na perna do oponente fazendo-o mancar, aproveitando a brecha para esfaquear o ombro dominante dele. 

Os dois que não haviam sofrido tanto quanto os outros ficaram espantados, talvez tivessem ficado sóbrios e entendido o que estava acontecendo. Aquele homem com certeza era um capitão de brigada, sua habilidade era a prova disso. Eles correram, jurando vingança e jurando que iriam voltar para busca-lo, disso não havia dúvida. 

O traidor deixou a faca ensanguentada na bainha do soldado caido e se limpou com um pano que estava no balcão. 

- Se perguntarem por mim, estou indo para Freljord, vou montar acampamento e fugir para o norte. Você soube disso por uma conversa minha com um informante de serviços que veio me encontrar aqui - Torvic deixou um envelope pequeno no balcão - Isso é para o senhor, não é muito, mas pode te ajudar. Se perguntarem, meus pais morreram quando era criança. Tome conta deles, por favor. Sei que o senhor já está em idade, mas só posso confiar em você. Me desculpe pela confusão, não era minha intenção... 

 

- Eu não confio em você desde quando deu aquela festa aqui para comemorar sua promoção no exército Torvic, você só tinha 19! - Respondeu ele gargalhando, logo voltando para seriedade - Sabe que pode contar, mas tenha cuidado. Seus pais vão ficar bem, mas não volte, pelo menos não em breve... 

 

- Obrigado, meu velho... - Um último aperto de mãos - Se cuide. 

 

   A corrida até em casa foi rápida mesmo que o bar seja um pouco distante. A conversa com os pais às pressas só os preocupou mais, mas no fim entenderam o que aconteceu e o que ia acontecer. Todos choravam, todos faziam as trouxas de roupa e suprimentos para acelerar o processo, a última com o peixe feito rapidamente para saborear na viagem. Depois de tudo pronto, era hora da despedida. 

 

- Desculpem por tudo... - Os três choravam, mas a tristeza e o cansaço de Torvic era mais visível - Eu vou voltar, algum dia eu vou voltar. Nem que seja para levar vocês comigo. 

 

   Depois dos abraços, ele deu uma carta aos pais, nela havia o comunicado de transferência de conta do nome de Torvic para seus pais, economias que fez durante o exército. Não havia o suficiente para deixarem a vida pesqueira para trás, mas o suficiente para terem uma vida mais tranquila, talvez expandir a venda do pai. Ele pegou seu cachecol amarelo e partiu, uma última olhada para sua casa e foi para o porto de Khworez. Depois de roubar um pequeno barco qualquer no porto, só poderia ir a um lugar no qual conhecia: Ionia."

Por Victor Hugo Rollemberg.
Feedbacks, críticas e elogios são sempre bem-vindos desde que com educação Heart

1 RESPOSTA
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Re: CONTO 2: "Despedidas de uma vida inglória".

Se você se interessou pela história, não deixe de conferir as continuações ❤️
Conto 3:
https://forum.br.leagueoflegends.com/t5/Cria%C3%A7%C3%B5es-de-F%C3%A3s/CONTO-3-quot-Noite-de-jade-qu...
Conto 4:
https://forum.br.leagueoflegends.com/t5/Cria%C3%A7%C3%B5es-de-F%C3%A3s/CONTO-4-quot-O-guardi%C3%A3o-...
O quinto já já vem por aí e provavelmente o último. Provavelmente, haha!

Caiu aqui de paraquedas? Dá uma olhada no primeiro conto!
Conto 1:
https://forum.br.leagueoflegends.com/t5/Cria%C3%A7%C3%B5es-de-F%C3%A3s/CONTO-1-quot-Tra%C3%ADdo-pela...