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CONTO 4: "O guardião safira".

"   Navori, mais precisamente em Azure. Meses após sua chegada, Torvic desfrutava de sua humilde casa construída pouco a pouco com as árvores da costa, junto com o desmonte do pequeno barco em que chegou. Vivendo como pescador, vendendo o que não comia para fazendeiros ou, às vezes, nas ruas de Ionia. Escambo era comum também, o pescado valendo leite, tecidos ou até outras carnes. Tudo estava tranquilo, árduo, porém tranquilo geralmente. Após o segundo cerco de Noxus, muitas gangues se formaram, extorquindo comerciantes ou famílias e isso não seria diferente em Azure, mas Torvic sempre intervia para ajudar quem quer que fosse, vencendo-os com certa facilidade. Bandos de três ou quatro homens não eram vantagem, uns davam mais trabalho que outros, o resultado era o mesmo. Com sua presença sendo grata, amizades se formaram com seus vizinhos e companheiros de pesca, uma vida simples e feliz. 

   Num dia qualquer, uma tempestade chega em Azure, nada incomum mas perigoso de qualquer forma, quem estava no mar já estava voltando a praia, quem estava na beira recolhia seus pertences, Torvic ajudava os mais velhos até que percebeu um barco no horizonte. Uma embarcação noxiana e não qualquer uma, com toda certeza um problema grande. Começando a apressar o passo, levaria pelo menos meia hora para atracarem com segurança e mais dez minutos para chegarem na praia senão o barco encalharia. Quarenta minutos de angústia. Quarenta minutos certificando-se de que todos estavam em casa seguros, armado com apenas sua faca, um bastão e uma foice pequena emprestada por um dos senhores pescadores. Tudo foi feito em vinte, os outros vinte eram espera. A ansiosa espera. Parado na chuva, os pés descalços na areia afundando, a bandeira noxiana cada vez maior. O bote finalmente chegou e nele, duas mulheres com finos trajes pretos acompanhados por espadas detalhadas pela cor do sangue. As espadas vermelhas de Xamari.
  
Não houve diálogo, elas chegaram, mostraram um cartaz de recompensa por Torvic assinado por Draven e esperaram a rendição, uma delas estendendo a mão para ele num sinal de irem sem conflito, que se posicionou para o combate. Foi o suficiente. Espadas foram empunhadas, não houve muito tempo para reagir ao ataque delas que já estava vindo e certamente era letal. Uma dança onde qualquer erro poderia custar um membro. O bastão de Torvic era grande o suficiente e parava a maior parte dos ataques, as lâminas chegavam perto, porém, mesmo interceptadas pela madeira resistente, naquele ritmo, o matariam. Onde uma atacava por um lado, a outra viria complementá-la como se fossem uma só. Ele empunhou sua faca na mão esquerda, pensando em ferir suas adversárias pelo contra-ataque após o bloqueio com o bastão, mas eram rápidas demais. A tempestade se enfurecia acima deles, trovões rugiam e relâmpagos acendiam o céu escuro. A chuva piorava e o mar batia em tudo que podia. Ofegando, Torvic começava a cansar, suas adversárias tinham alguns cortes, mas nada que o ajudasse muito. Cada investida delas parecia mais potente e cada vez mais letal eram os cortes nele. Sabia que sua defesa não permitiria uma derrota fácil, mas também sabia que naquele ritmo, venceriam de qualquer forma. Precisava mudar de estratégia.
  
Os gumes cada vez mais rápidos, pela esquerda, direita, acima, as diagonais e as diagonais das diagonais. Todas as rotas eram preenchidas por duas habilidades que pareciam infindáveis, nessa altura da luta estava manchado de sangue, a dor e ardência consumiam suas forças. Ele então correu para o bravo mar, sendo seguido para logo depois pararem, na água tudo era mais difícil. Torvic tentava se desvencilhar dos golpes enquanto arrastava seus pés no fundo, procurando. Tentando se afastar delas, uma contagem em sua mente, a atenção agora nos sons do mar, do vento e da chuva. Percebendo o puxar da maré bruta. Após um momento, ajoelhou-se ali mesmo, a água pouco acima dos tórax, as assassinas ficaram confusas por um breve momento, parando rapidamente para entender, mas continuando suas investidas depois, todos estavam no lugar certo. Foi o suficiente, uma onda enorme se formou atrás de Torvic, as canaletas naturais na areia fizeram uma armadilha, elas lutavam em vão para sair da água, o mar as puxava sem problemas. Ele sabia que nessas canaletas, as ondas quebravam com mais força e com aquela tempestade iria nocauteá-las, mas poderia levá-lo junto. Uma última cartada. Segurando sua faca e o seu cachecol amarelo, vendo o esforço delas de tentar sair da água enquanto a onda chegava atrás deles, pensava nos pais e nos amigos de Azure. Então veio a quebra do mar. Jogando todos para o fundo, rodopiando sem ideia de direção, as correntes rápidas atordoando cada vez mais e a falta de ar só aumentando, o puxar da água levava-os para mais longe ainda da praia, dificultando posicionar os pés no chão arenoso, uma sensação angustiante que só crescia. Torvic afundava lentamente, segurando seus pertences, vendo os flashes dos relâmpagos acima do mar, apesar de tudo a calma o invadiu, olhando ao redor viu os corpos das Xamari inconscientes. Se o mesmo acontecesse com ele, iria em paz, teria sido por uma boa causa, saberia que o povo de Azure estaria bem. A visão embaçava, o cansaço tomava conta, uma última lembrança foi sua faca brilhar num tom azul.
  
Na manhã seguinte, pescadores, fazendeiros e curiosos estavam na praia. Um caminho tinha se formado no mar, deixando uma trilha. Torvic estava no final, recebendo ajuda de todos que poderiam ajudar. Algum tempo depois, a água restante saia de seus pulmões e seu coração batia novamente, num susto desesperado sentou em alerta. Vendo onde estava, seus salvadores explicaram o que aconteceu até então: Uma trilha dividiu o mar até Torvic assim que o Sol nasceu, quem veio pescar pela manhã o avistou e pediu por ajuda, sabendo que o guardião de Azure poderia estar vivo, todos vieram ver a situação. A médica que o atendeu era gentil, ele nunca tinha a visto por ali, agradeceu imensamente. Havia apenas uma coisa de diferente, sua faca havia sumido e uma manopla azul safira estava em seu punho direito, com ajuda, saíram dali devagar com as águas fechando lentamente atrás deles. Um dia inteiro de perguntas com amigos após um belo café-da-manhã se seguiu, os curativos foram feitos e a tranquilidade era nítida. Torvic ainda não entendia muito bem aquela manopla e como sua faca se transformou naquilo, mas com certeza teria poderes e os usaria para proteger Azure de qualquer ameaça. Mesmo sem todas as respostas, depois daquele dia, depois de morrer lutando pelo que acreditava ser o certo, seria o guardião daquele lugar, algo que valeria a pena. Noxus jamais teria controle daquelas terras enquanto estivesse lá e jamais o tiraria dali, naquele dia, tinha certeza disso."

Por Victor Hugo Rollemberg.
Feedbacks, críticas e elogios são sempre bem-vindos desde que com educação Heart

P.S.: Quem acompanhou até aqui, queria agradecer imensamente o carinho. Se quiser bater-papo sobre a história, LoR/LoL e outras coisas pode me achar no meu twiiter @VRollemberg. Um beijo pra todo mundo. Heart

1 RESPOSTA
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Lenda
Lenda

Re: CONTO 4: "O guardião safira".

depois de morrer lutando pelo que acreditava ser o certo,
haverá um dia onde pedirão no fórum: farm automático no lol