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Desencontros - Um conto de League

 Olá, isso não é bem um spoiler é mais um recado de autor comum mesmo.
Bem, esse conto é um pouco forte devido a algumas cenas que inseri, mas pensei muito antes de inserir elas. 
Você pode demorar um pouco para ler, mas se conseguir ler tudo e se aventurar espero que goste!

Spoiler para honrar o nome: Orianna e Fiora são brevemente incluidas e citadas.
 
Quando falavam para mim que Zaun e Piltover eram cidades irmãs eu ficava rindo sem parar. As imagens que os pintores Demacianos mostravam pareciam evidenciar dois mundos completamente diferentes. Em uma seus habitantes andavam carregando livros, bem vestidos olhando para o céu limpo, na outra, algo parecido com uma fumaça cobria o céu e os farrapos dos cidadãos que em sua maioria tinham pedaços de máquinas atrelados a seus corpos era algo surreal. Mas isso foi até conhecer ambas pessoalmente e ver que as duas têm os mesmo tipos de habitantes, porém em Piltover, a ganância obscura é coberta pela cortina da política, algo que Zaun não se preocupa em cobrir. No final, são apenas as mesmas pessoas em ambientes diferentes e isso me enoja, mas missões precisam ser cumpridas e sacrifícios com certeza devem ser feitos.
 
Um garoto puxou o pano do meu sobretudo, por debaixo do capuz o observei sujo e com sangue seco no rosto, vestia farrapos extremamente velhos. Ele me levou até um beco eu o segui curioso “Sou um alvo tão fácil assim?” pensei. Chegando até o lugar ele parecia querer me dizer algo, me abaixei, mas não antes de perceber duas silhuetas se aproximando atrás de mim, eram crianças. Peguei a faca em minhas costas e me coloquei atrás do menino que me abordou colocando-a na sua garganta, estampei o sorriso mais presunçoso que conseguia no rosto antes que algo saísse de meus olhos vendo tamanha situação.
 
- Mais um único passo e darei a sentença deste jovem – ele segurava minha mão assustado e tremendo, tinha medo.
Os outros dois apareceram e não se mexiam.
 
- Voltem e eu o solto, caso contrário – balancei a faca para ameaçar, foi uma encenação horrível, mas pareceram acreditar.
 
- Como sabemos que não vai fazer nada? – O menino sem cabelos da esquerda me perguntou, será que por algum acaso aquilo já havia acontecido com eles?
 
- Não sabem, vão ter que confiar em mim – sorri.
 
Eles sabiam que era verdade, dependiam da minha confiança para dar os passos de volta. Enquanto pensavam eu voltei a mexer a faca, não queria continuar com aquilo para sempre. Os dois meninos se olharam e acenaram, aos poucos iam recuando, assim que se posicionaram eu soltei o menor que correu apavorado ao encontro dos comparsas.
 
- Ei! – gritei para eles. Me olharam inquietos.
 
- O quê? – O que parecia ser o chefe respondeu.
 
- Tomem isso – joguei uma pequena peça Hextec em detalhes dourados, algo raro em Zaun – no final da rua principal tem uma pequena loja de peças e manufatura de máquinas, entreguem essa peça ao dono e digam “Está em Demacia”, ele lhes dará comida e trabalho.
 
- Não temos fome – um deles gritou de volta.
 
- Mas vão ter – dessa vez sorri de verdade. Se Ori estivesse certa, eles encontrariam a loja com facilidade.
 
Saí do beco e continuei meu caminho, mas agora a missão ficou perigosa, se duvidar, Zaun tem ouvidos até em sua boca e a palavra Demacia dita aos gritos em um beco iria chamar a atenção de caçadores ou qualquer outra coisa que quisesse carne fresca. Meu destino era um hotel ao noroeste da cidade, mas para chegar até lá havia dois caminhos: suicídio certo – passando pelo centro da cidade e inalando a mais tóxica das fumaças – ou suicídio incerto – andando pelas regiões periféricas e tendo a chance de encarar algumas gangues. Apesar da minha vida não ser a melhor, preferia morrer em batalha ou velhice a sucumbir para uma fumaça tóxica. No caminho que escolhi presenciei ações inexplicáveis ou no mínimo revoltantes: homens obrigando dois jovens a lutarem (já ensanguentados) por puro entretenimento em plena vista, crianças com partes mecânicas batendo em um bêbado no chão e uma mulher puxando um braço dilacerado. Mesmo para alguém que dizia ter visto de tudo, aquilo era demais. Levantei ainda mais meu capuz e segui em frente, se olhasse mais algo talvez não conseguisse suportar e me envolveria em uma situação desnecessária. Coloquei um pano sobre meu rosto, meus pulmões ainda eram naturais e não resistira a uma única inalada sem tossir e isso significaria duas coisas: estrangeiro pronto para ser saqueado ou pulmões fresquinhos para o abate. Mesmo longe de casa eu tinha de manter as aparências.
 
Algumas horas depois cheguei ao meu destino. O lugar era grande, tinha quatro andares, mas a fachada era velha e ridícula. As janelas eram cobertas por tábuas velhas e deterioradas, a tinta vermelha estava completamente apagada e possuía tons rosados e o vinho na parte de baixo da estrutura agora era vermelho, isso ignorando as faixas de limo e plantas que escorriam do teto e cobriam a parte superior. Um desastre total até mesmo para qualquer tipo de reforma. Ao me dirigir até lá, pude ouvir risinhos e alguns espantos de locais que me observavam. “Já não bastou o garoto mais cedo?”.
 
Quando entrei, percebi como a senhorita Laurent tinha razão quando me disse “Jamais julgue um duelista por sua arma”. A única coisa horrenda de verdade era a fachada, a parte interna era perfeitamente bem organizada. Do lado esquerdo do corredor de entrada ficava um balcão em madeira fina – e rara talvez – a tinta bege nas paredes parecia recém-pintada, na minha frente uma escada que provavelmente levaria a outros andares e à direita sofás ao redor de um pequena mesa que com flores recentemente retiradas em cima – o aroma denunciou –.
 
- Mas que... – falei baixinho.
 
- Precisa de algo senhor? – Uma linda jovem de cabelos encaracolados extremamente bem maquiada falou.
 
- Ah – tomei um leve susto, ela possuía quase a mesma altura que a minha e utilizava uma túnica que lhe cobria o corpo – um quarto, por favor.
 
- Claro – ela sorriu e foi até o balcão, mexeu em algumas coisas e logo retirou uma chave e se dirigiu às escadas.
Ao segui-la novamente fui surpreendido pela estrutura organizada. Parecia um lugar completamente diferente e alheio a Zaun.
 
- Desculpe-me, mas o senhor tem o suficiente para pagar pela estadia? – ela perguntou ainda andando.
 
- Sim – Não era difícil entender aquele lugar, a fachada extremamente feia afastava estrangeiros e curiosos, provavelmente figurões da cidade utilizavam esse lugar como refúgio de algo que é melhor nem saber. O espanto do homem e o riso denunciaram que me acharam um idiota por meter a cara aqui, no mínimo ia me custar uma boa briga sair desse lugar, mas não havia muito o que se fazer, uma pista era algo que não podia ser perdido.
 
- Tudo bem então. – ela não pareceu se incomodar ou sequer esboçar reação – Chegamos a seu quarto – ela abriu a porta e me mostrou um belo lugar, armário, cama e uma escrivaninha com abajur em cima ao lado da cama, não havia janelas – o jantar será servido em uma hora, aproveite para se arrumar e acomodar-se – fez um leve meneio e se retirou deixando a porta aberta.
 
Antes que ela pudesse sair do corredor perguntei.
 
- Posso jantar em meu quarto?
 
Ela se virou.
 
- Claro, mas devo demorar um pouco mais, pois vou servir aqui em baixo primeiro.
 
- Sem problemas.
 
Ela desceu as escadas, mas não me dei ao luxo de arrumar as coisas, se tudo desse certo naquela mesma noite eu sairia tentando não deixar rastros. Sentei no chão e esperei o jantar, depois de uma hora e meia, mais ou menos bateram na minha porta, abri para ver que era a mesma mulher empurrando um carrinho com meu jantar em cima, foi então que algo inesperado aconteceu, ela própria comeu um pouco da comida na minha frente. “Onde eu vim parar?” pensei enquanto observava a cena. Depois disso ela simplesmente saiu sem se incomodar.
 
Estava com fome então não fiz cerimônia e a comida estava deliciosa. Aproveitei para caminhar pelo meu andar, era um único corredor e quanto mais se ia ao fim mais escuro ficava. Depois de chegar próximo do fim, um cheiro ruim me chamou a atenção. Um quarto com a porta entreaberta exibia rastros de sangue e dentro dele corpos colocados de alguma maneira na parede exibiam cenas e posições como uma obra de arte e então tudo se encaixou. Corri desesperadamente até o andar térreo somente para encontrar uma peruca de cabelos encaracolados no balcão. O maldito fugiu de novo. Subi as escadas até meu quarto para pegar minhas coisas.
 
- Essa foi a pior obra de arte que já vi. – comentei sozinho, aquilo me arrepiou um pouco, levantei o capuz – Shauna vai odiar saber disso.
 
Finalmente iria voltar para Demacia com uma notícia e tanto. “Ele estava em Zaun” sorri “Missão cumprida”.
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