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Contos de Campeões

Bom dia, me chamo Henrique Lopes e sou de uma cidade interiorana da Bahia e sempre fui muito apaixonado pelo universo de League of Legends. Portanto, acabei desenvolvendo um conto pequeno em homenagem ao Jhin e decidi compartilhar com vocês, espero que gostem ou ao menos leiam 😄

O virtuoso Khada Jhin

                As cortinas se abrem com glamour e admiração ao apresentar para ele o seu público, o artista sente o ânimo subindo por suas pernas, como um choque estático que carrega uma enorme onda magnética de êxtase vibrante, cada músculo, osso e pensamento existe e é utilizado apenas para um único propósito, entreter a faminta plateia que está neste momento eufórica pelo que o artista tem a demonstrar. Pois então entram em cena um grupo de pessoas tristes e deprimidas, suas feições são de dar dó apenas no olhar, vê-se uma inacreditável melancolia que invade aquele espaço formando uma expeça nuvem negra que dispara seus raios de infelicidade sobre o grupo. Triunfante surge das sombras nosso herói, como um raio de luz inabalável e radiante ele caminha, e quanto mais se aproxima daquelas pessoas, mais as nuvens adquirem uma formação de batalha para tentarem impedir o ato heroico que estava desenhado a acontecer. Porém nenhuma nuvenzinha mixuruca iria parar o tão aclamado salvador que veio em prol daqueles indefesos, de imediato saca sua arma e começa a contar com um ímpeto de euforia

                - Um... – é derrubada sem qualquer chance de defesa a primeira linha inimiga.

                - Dois... – não há o que a segunda fase de vilania possa fazer.

                - Três... – está cada vez mais próximo do fim, como um lobo uivante comemorando o prelúdio de sua vitória.

                - Quatro! – eis a cena final, um belíssimo disparo perfeitamente projetado, atingindo sem piedade o coração da fera bestial enquanto inúmeros aplausos são ouvidos ao fundo.

                - A tempestade está no coração deles. Eu os acalmo! – sempre muito importante encerrar o espetáculo com uma frase de efeito muito bem elaborada, fruto de uma mente artística sem limites.

                Nosso grande símbolo está se vangloriando merecidamente após uma apresentação perfeita, digna do artista que é, quando de repente, algo surge em seus pensamentos, uma ideia obscura e horripilante, uma pulga atrás da orelha que fica sussurrando ruidosamente coisas  sombrias, uma sensação de calafrio que vai subindo gradativamente por todo seu corpo escultural, até finalmente atingir sua nuca como um machado afiado tal qual a foice da morte atinge um bloco de madeira, o partindo em dois imediatamente, “Se eu os acalmo, então quem irá assim me acalmar?”. Aquele pensamento era nefasto de tão triste que se fazia, era incabível tal qual inaceitável uma realidade onde o maior herói da humanidade fosse usado apenas para benefícios alheio. A pulga começou a rugir ao invés de ruir, era em alto e bom tom que induzia as mensagens ao seu leal mestre, mostrando-lhe a verdade que ainda escondia até aquele ponto da trama, “Eles estão aqui apenas para lhe usar. Depois de solucionar o problema deles, não significa mais nada!”. Ter de ouvir aquilo foi pior que um gole de Estricnina descendo pelo sistema digestivo, era como um soco no estômago, produzindo dor que percorria por todo o corpo partindo do centro da barriga e se espalhava como uma praga, que dilacera todas as formas positivas do organismo vivo, era crueldade demais ter de aceitar que aqueles pelos quais o homem tanto prezou o desprezavam, e riam dele pelas costas o chamando de idiota, idiota por ter sido tão estúpido em assumir as dores particulares de outros sem pestanejar e entrar em um confronto turbulento em benefício deles. Nosso herói estava desolado, não sabia mais o que fazer, oh céus, estaria ele abandonado a própria sorte após ser brutalmente apunhalado da pior maneira, pelas costas e por quem considerava próximo como irmãos e irmãs, era demais pra ele.

                Foi então que ressonou em sua cabeça uma ideia brilhante, como uma corneta de vitória sendo acionada ao longe e que ia crescendo a passos largos, chegando cada vez mais próximo do cérebro do artista. A pulga desta vez descartou os rugidos e ruídos, adotou um novo tom de voz em baixa frequência e de forma doce e calma, como uma leve cantoria para adormecer trazendo os mais belos sonhos para esta noite, ela cantarolou “Apenas a morte é sua companheira, o massacre é seu esplendor!”. Foi como música para seus ouvidos, que se animaram tão alegremente assim como o resto de sua face, de uma forma tão aparente que carregava um sorriso de orelha a orelha e seus olhos ecoavam empolgação para todo o resto do corpo em frequências altíssimas, como tsunamis de adrenalina, cada palavra lhe proporcionava um gosto tão bom na boca que chegava salivar de vontade.

                Ele voltou-se então para aquelas pessoas que estavam antes reunidas ali deprimidas, mas agora não as via como antes, agora eram apenas ratos trapaceiros que estavam tentando se aproveitar da boa vontade do pobre homem, ele jamais vai permitir que isso aconteça novamente e já sabe exatamente como fazer isso. É hora de o show começar, atrás das cortinas já fechadas se inicia a performance, exatamente 4 pessoas ali posicionadas cochichando, certamente falando do quão idiota é seu salvador, que doou a vida pelas deles, mas não cochicharão por muito tempo.

                - Um... - foi dada a partida no réquiem final destes vermes inexpressivos.

                - Dois... – ele se diverte ao ver a saborosa feição de terror profundo impregnada na face de seus antigos aliados.

                - Três... – agora resta apenas um para a finalização do espetáculo.

                - Quatro! – com a mão vibrante de alegria fora encerrado o primeiro ato.

                Estava mergulhado em alegria o nosso grande e bonito mestre, estava quase a saltitar de felicidade por mais uma apresentação bem sucedida, mas se lembrou que o ainda não havia acabado, a pulga voltou a rugir e não deixou escapar de sua mente uma lembrança, crua e gélida como a morte passou por sua mente o déjà vu de seu público aplaudindo o resgate que fizera mais cedo, “Estão aplaudindo sua imbecilidade, envoltos na própria ignorância tão pútrida!”, exclamou a pulga. Aquele pensamento rondava a cabeça do artesão que sentia desgostoso um sabor ácido em sua boca, que a preencheu totalmente lhe causando náuseas, para terminar a peça ainda faltava o segundo ato.

                Armando sua escrivaninha bélica de criatividade o artista montou seu pincel mais poderoso diretamente para o público, que ao ver a abertura das cortinas tentou fugir desesperado, entre feições assombradas pela doce presença da morte que se fazia naquele palco e tropeços de desespero na procura de alguma forma de escapar daquela realidade encantadora, nenhuma alma foi capaz de escapar da impressionante mira de nosso maestro mais habilidosos, que rapidamente fez justiça com a própria arte, como tudo deve ser. Espalhando pétalas por todo o cenário mórbido e aconchegante de corpos largados ao próprio azar, o homem se deitou exatamente no meio deles, como se fosse o broto mais saudável daquele massacre belíssimo e ao receber a radiante presença do sol em sua face, iluminando sua máscara proferiu “Em um massacre floresço, como uma flor ao amanhecer”, e repousou junto aos corpos, um descanso após toda empolgação.

                - E então, o que achou? – pergunto eu a mim mesmo ao terminar de anotar a última palavra de minha obra mais intensa com uma tinta preta forte.

                É realmente satisfatório poder ser criativo o suficiente para pensar em movimentos artísticos tão profundos, tenho certeza de que esta será minha maior obra prima, pois sou eu Khada Jhin, o virtuoso, que estou contemplando a mesma. E enquanto encaro este espeço estilhaçado percebo que talvez minha máscara precise de uns retoques, mas acima de tudo percebo e digo, para tornar ainda mais real, que “Existe arte aqui. Em aguardo.”.

2 RESPOSTAS
Rydrake
Barão
Barão

Muito legal, @Menino da cidade . Parabéns pelo trabalho!

LightL96
Arauto
Arauto

Muito bom!