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O Conto da Espada Imortal: Uma curta história de Yoru

Eaí galera! Blz? 
Hoje trago aqui pra vocês uma curta história do Yoru, baseada em tudo que nos apresentaram até agora sobre ele 💙

Também já está disponível aqui no fórum a história da Viper e ficou bem legal, vale a pena dar uma olhada!

Espero que gostem e deixem lá no final seu feedback, é bem importante!

 

Bloodline (1).png

                                                      O Conto da Espada Imortal

                                                              Uma curta história de Yoru

 

 

 Os campos de arroz se estendiam até onde os olhos podiam enxergar. O sol da tarde deixava o vento pairar dourado pela plantação, formando ondas e mais ondas.

O oceano verde que se perpetuava através da pequena vila os banhava mais uma vez com um dia radiante.
Gio soltou seus cabelos enquanto segurava o cesto no meio do campo, a brisa daquela tarde a fazia se sentir viva, apreciando cada momento simples que desfrutava com sua família.

Suas mãos suaves adquiriram com maestria ao longo do tempo o ofício dos seus pais de sobreviver com os presentes que suas terras lhes proporcionavam. Suas bochechas coradas apreciaram o movimento do vento não se sabe por quanto tempo, até ter sido distraída pelo sino que ecoou longe no vilarejo. Algo havia acontecido.

Subiu o cesto às suas costas e marchou de volta à sua casa.

Dez homens em seus cavalos estavam a postos no centro daquele pequeno lugar.
Gio olhou desacreditada. Soldados do Imperador.
Respirou fundo. Talvez seu maior temor não fosse concretizado. Entrou em sua casa e um dos soldados bebia um chá avermelhado sentado em sua mesa. Seus pais, enfileirados e de cabeça baixa, repousaram solícitos no canto do cômodo.
- Também não é o maior dos prazeres refazer uma visita à você, Srta. Wada - disse o general percebendo o olhar atônito de Gio - Mas acho que você já sabe o motivo de eu estar aqui - completou.
- Eu já servi ao Imperador pela última vez - respondeu a camponesa, largando seu cesto ao chão. - Eu não lhe devo mais nada - continuou a garota, com sua voz firme.
- Um samurai...têm nos dado...um certo trabalho - começou o general ignorando as palavras de Gio. Repousou sua xícara na mesa e levantou-se da cadeira.
Era alto e forte mas não amedrontava a antiga guerreira que habitava dentro daquele coração robusto que era projetado à sua frente.


- Todos os nossos guerreiros falharam - continuou - E ele nunca mais se curvou ao nosso imperador - disse, tocando a medalha em seu próprio ombro.
- Eu já servi ao meu imperador - respondeu Gio, agora com tom mais brando, sabendo que em breve não haveriam escolhas de qualquer forma.
- Os campos, sua família, a sua espada - disse o general - você sabe os motivos que possui tudo isso não é? - sua voz ganhou um tom mais incisivo e ameaçador - Você não quer perder tudo isso de novo? Você quer que o fogo consuma tudo isso mais uma vez? - completou, vestindo seu capacete em direção à porta.
Gio deixou rolar apenas uma lágrima enquanto sua cabeça fervilhava de sentimentos esperando que aquilo fosse só mais um mal entendido.

Abaixou seu rosto em direção aos seus pais que a olhavam de forma penosa, suas mãos não conseguiam disfarçar o desespero de deixar sua filha partir novamente.
- Esperamos você aqui fora, se apresse - disse o general - o Imperador agradece os seus serviços - finalizou deslizando a pequena porta de bambu.

 

***


Muito longe dali, um pequena cabana na entrada da floresta abrigava um guerreiro desertor. O jovem samurai contemplava o nascer do sol todos os dias que brotavam através das montanhas gloriosas através do horizonte. O calor beijava seu rosto com um enorme apreço. Sua única companhia era um velho gato preto que o encarava com olhos de julgamento e logo voltava a dormir.


Caminhou até fora de sua cabana, sua espada embainhada em sua cintura, e correu a verificar se as armadilhas contra invasores estavam de pé. Tudo intacto desde a última invasão.
Pôs-se a caminhar de volta ao encontro do gato que provavelmente estaria enchendo de pelos seus cobertores, quando ouviu galhos sendo quebrados próximo à trilha da floresta.


Sacou sua espada e caminhou lentamente em direção ao barulho, esperando que algum animal pudesse estar preso em direção a ser seu almoço.
Logo à sua frente, a jovem mais linda que o samurai já havia visto caiu desmaiada a alguns metros de distância.
Sua expressão de cansaço não conseguia apagar seus traços cintilantes e reluzentes. Sua roupa rasgada denunciava uma longa caminhada em meio à floresta, só lhe restava um cantil vazio e arranhões em suas pernas.
O guerreiro se aproximou calmamente em direção à aparição temendo uma emboscada.
Passaram-se alguns minutos até ter certeza que ela estava sozinha. Colocou aquele leve corpo sobre seus ombros e a levou até a cabana.
Já deitada em uma esteira, aquela linda figura exausta vislumbrou um jovem rosto que à perguntava sobre seu nome.

- Gio - ela respondeu ao rapaz, pouco antes de apagar completamente de exaustão.

***


Três anos se passaram, e o samurai continuava a receber o sol em seu rosto todas as manhãs.
Agora acompanhado de uma jovem camponesa foragida de seu casamento forçado. O amor que sentia por sua companhia era inimaginável.


Via em todos os seus gestos uma força da natureza arrebatadora. A forma como falava, dançava e o abraçava era apaixonada. Seu sorriso conquistou seu coração e o aquecia nas noites mais frias do inverno.


O mesmo era para Gio. Aprendeu com o desertor a como caçar, lutar, aprendeu suas poções e seu modo de vida. Acariciava seu cabelo de espírito livre naquela cabana e se perdia em seu próprio mundo longe de tudo.
Aquela tarde de outono se parecia como qualquer outra. O pomar já se debruçava ao chão com árvores pesadas carregadas de frutas suculentas esperando pelas delicadas mãos de Gio para serem colhidas.


A mulher caminhou até fora da cabana enquanto o ex-guerreiro havia se encaminhado até à cidade, de forma camuflada, para abastecer a cabana para os próximos dias.


Chegou à varanda de sua cabana e um pequeno pássaro azul pousou ao seu lado.
Seu coração disparou e sua cabeça girou por alguns segundos. Aquele era o sinal, estava na hora.
Suas mãos não paravam de tremer e seu fôlego a denunciava para qualquer um que a visse naquele estado.
Reuniu suas forças e seguiu ao pomar. Coletou todas as frutas que podia e ainda algumas pequenas frutas roxas de um arbusto baixo. Essas, escondeu dentro de sua roupa.


O samurai a esperava já dentro da cabana, seu olhar denunciava o quanto a admirava toda vez que a via.
Deu um suave beijo na testa daquela bela mulher e se apressou em mostrar o que havia conseguido trocar na cidade. Coelhos, seu animal predileto, de todas as cores.
Gio lhe deu um abraço apertado e depois olhou fundo em seus olhos.
- Eu te amo - murmurou brevemente, com a voz arranhando em sua garganta.
- Eu não sabia que você gostava tanto de coelhos assim - riu o rapaz em resposta.


Gio apressou-se para lhe preparar um chá e durante isso, uma segunda lágrima depois de tanto tempo escorreu do seu rosto.
Esmagou as frutas que havia escondido em sua roupa e depositou algumas gotas no chá do samurai desertor. Mas dessa vez, ao invés de depositar o conteúdo em uma xícara, embebeu o chá no cantil que havia guardado.
- Hoje faz três anos desde que você me encontrou - disse sorrindo ao guerreiro.
-E você foi um presente, Gio - respondeu o rapaz - Eu lembro disso - completou segurando o cantil e bebendo todo o chá.
Apagou quase instantaneamente, os venenos aprendidos na guerra por Gio eram extremante fortes e poderiam derrubar até mesmo um touro em poucos segundos.


Aos prantos, a bela moça o cobriu com uma máscara a fim de esconder seus lábios agora pálidos que a faziam sorrir durante cada dia desde que havia chegado até a cabana.
Enterraria seu amado e cumpriria seu destino para com o Imperador. Sua família estava salva.
Cavou a cova mais profunda que conseguiu em frente a cabana, depositando aos prantos as lembranças do guerreiro, agora morto por suas mãos. Não haviam escolhas, este era o seu trabalho.
Improvisou uma caixa grande o bastante para o corpo de seu amado e despejou a terra pá a pá, desejando que tudo aquilo fosse mentira e em breve ela acordaria de um longo pesadelo.


Mal conseguia enxergar um palma à sua frente quando terminou de enterrá-lo devido à quantidade de lágrimas que brotaram em seu rosto.
-Pronto, está feito! - gritou a plenos pulmões, desejando morrer ao lado do samurai - O que mais vocês querem de mim? - continuou a altos brados olhando ao redor esperando os soldados chegarem.
Como já esra esperado, a comitiva do Imperador desponta nas proximidades da cabana para se certificar que não haveria um desertor ali.


- Você foi muito corajosa, Srta. Wada. - Bravejou ao longe o general - O Imperador se lembrará dos seus esforços - completou olhando pela última vez o rosto devastado daquela linda jovem.
Foram embora e os joelhos de Gio definharam ao chão.


Não sabe-se quanto tempo passou ajoelhado no túmulo de seu querido companheiro, mas reuniu sua últimas forças e adentrou acabana uma última vez com o gato em seu colo.
Tarde da madrugada, uma figura de lindos cabelos sai da cabana que outrora abrigava um guerreiro. Encoberta por vestes pretas, era difícil a distinguir das árvores mesmo estando muito perto. Com a pá em sua mão, ela olha desconfiada para todas as direções esperando notar algum sinal, algum barulho, qualquer coisa.


Nada.


Se aproximou do túmulo do guerreiro e fincou a pá no chão para retirar o primeiro montante de terra.
Cavou e cavou mais. Quando ouviu um pequeno sibilar estridente ao vento, sentiu o coração quente.
A flecha havia acertado seu peito em cheio antes que pudesse se virar. Caiu morta em cima de seu amado.
- Eu disse que não poderíamos confiar nela - disse o arqueiro ao general que observava tudo ao seu lado nas sombras das árvores.


***


Alguns anos se passaram e talvez mais. Séculos.
A única companhia do samurai era uma fraca luz verde que transparecia em seus sonhos vez ou outra. Seu coração quase morto foi facilmente esquecido por gerações e gerações.
- Paul? O que é isso? Há radianita aqui... mas... ele está morto? - disse o agente da Kingdom com o scanner em seu pulso - Há alguém aqui! - suspirou surpreso. Ao anoitecer, uma base de escavações já havia sido montada num lugar de vista esplêndido.


Montanhas grandiosas testemunhavam os o corridos ali por milhares de anos. Inclusive a história de um antigo samurai que encontrou o amor.


-Sabine, consegue trazer ele de volta? - perguntou Sra. Moreno à cientista.
- Ele está em algum estado entre a vida e a morte, a radianita o conservou como eu nunca vi antes. Levem-no para a Rússia.
- Talvez ele seja a resposta que estávamos esperando - finalizou dando mais uma olhada na curiosa expressão do guerreiro que, mesmo de máscara, estava com feições plenas de seu mais profundo sonho.
Os testes com o corpo adormecido daquele ainda jovem rapaz foi seguido por várias semana de frio intenso. Contudo, o próximo passo já estava prestes a ocorrer.
Sabine preparou a cápsula de reanimação e verificou o monitor.


Se conseguisse fazer aquilo dar certo, acharia uma cura, finalmente a resposta desses longos anos. A radianita salvaria a humanidade. Seria a heroína de muitas vidas.
Os loops de seus sonhos se baseavam no mesmo aspectos. Estava em sua cabana, com sua amada Gio e seu gato no colo.
Não havia outra necessidade.
Não anoitecia ou era necessário fazer qualquer esforço. Estava em um mundo perfeito. Seu sonhos proporcionavam o que mais prezava quando estava com Gio.
Ser e a fazê-la feliz.


Mas essa realidade começou a escurecer e seu corpo se apagar, quando tudo ficou tão escuro que nada podia ver, apenas ouviu o último suspiro de Gio em cima de seu corpo extasiado pelo falso veneno que havia tomado, foi puxado de volta a realidade com seu sangue flamejando.
Seus olhos abriram em chamas azuis o trazendo de volta a vida, mesmo não sendo a vida que havia planejado.
Uma explosão de dentro de seu peito fez a forte cápsula derreter em estilhaços, se desprendendo de qualquer amarra utilizada.


Sabine protegeu seus olhos do ofuscante clarão que se seguiu. Amedrontados os agentes da Kingdom se afastaram do laboratório temendo o pior.
Apenas Viper se aproximou daquele ser ofegante que se recuperava de joelhos ao chão.
-Bem vindo à Kindom, guerreiro - saudou Sabine a uma distância segura - você esteve dormindo por muito tempo, eu li sobre você, achei que tivessem te matado.


Os pulmões do samurai se enchiam do ar gelado, sua garganta mal consegui emitir qualquer som.
Se pôs de pé, procurando a espada que costumava carregar consigo.
-Como podemos te chamar? - Perguntou a cientista ao rapaz de centenas de anos.
Por flashes de segundos o guerreiro sentiu o baque de suas memórias pesarem em sua cabeça. Sua amada, sua cabana, os anos sendo o melhor samurai já conhecido. Lembrou das vezes que acordava o sol em todo seu esplendor e das vezes em que pode ver o sorriso de Gio na sua frente.
Lembrou-se de como sua amada havia arquitetado sua falsa morte e em como a haviam tirado de si com um suspiro. Sua alma pesou.


Lembrou até mesmo do nome do gato preguiçoso que enchia de vida (e pelos) sua cabana.
-Yoru... - murmurou, sentindo em seus dedos como era acariciar os pelos daquela pequena criatura.
- Bom, você vai precisar de roupas novas - finalizou a cientista.

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5 RESPOSTAS
Hattori uwu
Aronguejo
Aronguejo

Que história incrível, a cada trecho você vai visualizando as cenas. Parabéns por essa escrita magnifica, pelo tempo e dedicação com o nosso Yoru!
Você arrasou e com certeza voltarei nesse post mais vezes para reler essa história ❤️ Adorei!
Cherry McLaren
Moderação
Moderação

U-a-u!

Esse finalzinho me tirou o fôlego. Parabéns por mais um conto, Flareon! Estou aguardando os próximos, hihi
Gikhazen0
Tropa
Tropa

Genteeee! To passadah! Que perfeitooooo!!!!! ❤️ 😍

Nishinoya Yú
Aronguejo
Aronguejo

Mandou demais na história, cara! Sempre legal ver a criatividade de vocês deixando o universo do jogo cada vez maior 🖤

Meu deus, será que estou vendo o paraíso ao ler esse conto ??? estou encantadahhh 😍